Pelo menos 55 mortos em surto de sarampo no arquipélago da Samoa

Uma epidemia de sarampo já matou 55 pessoas no arquipélago da Samoa e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje sobre o declínio nos esforços globais para erradicar a doença. Entre os mortos no arquipélago do Pacífico Sul, 50 são crianças...

Uma epidemia de sarampo já matou 55 pessoas no arquipélago da Samoa e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje sobre o declínio nos esforços globais para erradicar a doença. Entre os mortos no arquipélago do Pacífico Sul, 50 são crianças com menos de quatro anos, disseram hoje as autoridades locais. Outras 18 pessoas estão internadas em estado crítico e a crise não parece estar a diminuir, visto que 153 novos casos foram registados nas últimas 24 horas, elevando o número de infetados para 3.881 numa população total de 200.000. As medidas de emergência incluíram uma campanha geral de imunização obrigatória e o encerramento de escolas. Mas isso não foi suficiente para conter a epidemia num país particularmente vulnerável, dada a baixa taxa de vacinação (31%). Jose Hagan, diretor regional da OMS para a região, disse que o caso de Samoa lembra os perigos associados ao que é "provavelmente a doença mais contagiosa que conhecemos". "Infelizmente, a taxa de mortalidade por sarampo é muito maior do que as pessoas acreditam", disse Hagan à Rádio Nova Zelândia. "É uma doença grave e já não estamos acostumados a vê-la, por isso a sua mortalidade é uma fonte de surpresa", acrescentou. Hagen lembrou que cerca de 21 milhões de vidas foram salvas nos últimos 20 anos através do acesso à vacina contra o sarampo. "Entretanto, estamos a começar a ver um declínio e há surtos em todo o mundo que estão a espalhar o vírus através de viagens internacionais", afirmou. O número de casos está a aumentar na Europa, nomeadamente na Grã-Bretanha, Grécia, Albânia e República Tcheca. A doença caracterizada pela erupção de manchas vermelhas na pele é causada por um vírus que é transmitido com muita facilidade por contacto direto ou no ar. Antes do surgimento das vacinas, na década de 1970, a doença matava de sete a oito milhões de crianças por ano no mundo. Após um declínio dramático entre 2000 e 2016, graças às principais campanhas de vacinação, o sarampo agora está a ressurgir fortemente no mundo, devido, em particular, à desconfiança em relação às vacinas. Essa desconfiança sobre a vacina combinada sarampo-caxumba-rubéola (MMR) foi provocada por um estudo de 1998 que vinculou a vacina ao autismo. No entanto, foi rapidamente estabelecido que o autor falsificou os seus resultados e vários estudos mostraram que a vacina não aumenta o risco de autismo, afirmou a OMS em várias ocasiões.