Perda recorde de rendimentos antevê ano difícil para as famílias

A Madeira e o Algarve foram as duas regiões do País que sofreram o maior impacto nos rendimentos, em 2020, em consequência da pandemia, atesta um barómetro da Deco Proteste, com dados auferidos no final do ano passado. Uma em quatro famílias perdeu grande parte do rendimento em 2020 e vive tempos difíceis. Num ano apanhado pela pandemia, com a economia fortemente constrangida, as desigualdades sociais tornaram-se mais visíveis. O estudo da Associação de Defesa do Consumidor conclui que as atividades dependentes do turismo, quase congeladas, tiveram um papel relevante no encurtamento da liquidez, quer na Madeira, quer no Algarve. Mais de 40% dos inquiridos pela Deco no Algarve e na Madeira dão conta de um decréscimo do rendimento em 25% ou mais. O barómetro apurou que, na Madeira, as dificuldades financeiras atingiram 59% das famílias. No todo do País, este estudo indica que os efeitos negativos da crise pandémica ainda não se fizeram sentir. “Em 2020, a dificuldade das famílias em pagar várias das suas despesas até diminuiu. Pode ser surpreendente, mas a verdade é que muitas despesas quase não existiram no último ano”, explica a Deco, lembrando que o adiamento de consultas médicas e cirurgias, as moratórias no crédito à habitação e nas rendas, as férias canceladas, as restrições de mobilidade e os apoios do Estado às empresas mitigaram o impacto financeiro da pandemia. “O País esteve ligado à máquina, o que permitiu estabilizar os sinais vitais. Resta saber como reagirá o paciente quando se desligar a máquina”, acrescenta a associação. Numa análise ao impacto causado pela crise, a Deco conclui que existem dois países dentro do mesmo país. Metade das famílias não perdeu rendimentos por causa da pandemia, mas nos agregados com perda significativa de rendimentos (cerca de um quarto), o cenário é bem diferente.   59% reportaram dificuldades No caso da Madeira, o estudo da Deco revela que, no ano passado, 59% dos inquiridos admitiram ter dificuldades financeiras, 34% reportaram estar em situação confortável e 7% em situação crítica. Destes, 37% referiram aperto no fazer face às despesas com saúde, 35% nos gastos com a habitação e 29% na alimentação. O arquipélago madeirense é, de acordo com o barómetro da Deco, a única região onde a saúde é o gasto mais problemático, à frente das despesas com a habitação, que lideram as dificuldades nas outras zonas. A mobilidade (automóvel e outros transportes) é, em regra, a terceira despesa mais relevante para os orçamentos familiares.

Perda recorde de rendimentos antevê ano difícil para as famílias
A Madeira e o Algarve foram as duas regiões do País que sofreram o maior impacto nos rendimentos, em 2020, em consequência da pandemia, atesta um barómetro da Deco Proteste, com dados auferidos no final do ano passado. Uma em quatro famílias perdeu grande parte do rendimento em 2020 e vive tempos difíceis. Num ano apanhado pela pandemia, com a economia fortemente constrangida, as desigualdades sociais tornaram-se mais visíveis. O estudo da Associação de Defesa do Consumidor conclui que as atividades dependentes do turismo, quase congeladas, tiveram um papel relevante no encurtamento da liquidez, quer na Madeira, quer no Algarve. Mais de 40% dos inquiridos pela Deco no Algarve e na Madeira dão conta de um decréscimo do rendimento em 25% ou mais. O barómetro apurou que, na Madeira, as dificuldades financeiras atingiram 59% das famílias. No todo do País, este estudo indica que os efeitos negativos da crise pandémica ainda não se fizeram sentir. “Em 2020, a dificuldade das famílias em pagar várias das suas despesas até diminuiu. Pode ser surpreendente, mas a verdade é que muitas despesas quase não existiram no último ano”, explica a Deco, lembrando que o adiamento de consultas médicas e cirurgias, as moratórias no crédito à habitação e nas rendas, as férias canceladas, as restrições de mobilidade e os apoios do Estado às empresas mitigaram o impacto financeiro da pandemia. “O País esteve ligado à máquina, o que permitiu estabilizar os sinais vitais. Resta saber como reagirá o paciente quando se desligar a máquina”, acrescenta a associação. Numa análise ao impacto causado pela crise, a Deco conclui que existem dois países dentro do mesmo país. Metade das famílias não perdeu rendimentos por causa da pandemia, mas nos agregados com perda significativa de rendimentos (cerca de um quarto), o cenário é bem diferente.   59% reportaram dificuldades No caso da Madeira, o estudo da Deco revela que, no ano passado, 59% dos inquiridos admitiram ter dificuldades financeiras, 34% reportaram estar em situação confortável e 7% em situação crítica. Destes, 37% referiram aperto no fazer face às despesas com saúde, 35% nos gastos com a habitação e 29% na alimentação. O arquipélago madeirense é, de acordo com o barómetro da Deco, a única região onde a saúde é o gasto mais problemático, à frente das despesas com a habitação, que lideram as dificuldades nas outras zonas. A mobilidade (automóvel e outros transportes) é, em regra, a terceira despesa mais relevante para os orçamentos familiares.