Petição contra suspensão do parlamento atinge meio milhão de assinaturas

Uma petição contra a suspensão do parlamento britânico reuniu hoje mais de 500.000 assinaturas, ultrapassando largamente o número mínimo de 100.000 assinaturas para que seja debatida na Câmara dos Comuns. “O parlamento não pode ser suspenso...

Petição contra suspensão do parlamento atinge meio milhão de assinaturas
Uma petição contra a suspensão do parlamento britânico reuniu hoje mais de 500.000 assinaturas, ultrapassando largamente o número mínimo de 100.000 assinaturas para que seja debatida na Câmara dos Comuns. “O parlamento não pode ser suspenso ou dissolvido a menos que o artigo 50.º tenha sido suficientemente prolongado ou a intenção do Reino Unido de sair da União Europeia tiver sido cancelada”, lê-se na petição. O artigo 50.º do Tratado da UE, que rege a saída de um Estado-membro, determina que a saída seja concretizada dois anos após o pedido formal de saída, data que pode ser adiada a pedido do Estado em causa e com a concordância de todos os outros países membros. A data atual ´para o 'Brexit' é 31 de outubro e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu que o país sairá da UE nesse dia, com ou sem acordo. A petição, criada por um cidadão que se identifica como Mark Johnston e colocada na página internet do parlamento, contava às 17:05 locais (mesma hora em Lisboa) com 505.000 assinaturas. Cinco horas antes, às 12:00, a petição contava com 12.000 assinaturas mas, depois de o primeiro-ministro, Boris Johnson, ter anunciado que pediu à rainha autorização para suspender o parlamento até 14 de outubro, o ritmo de assinaturas multiplicou-se, atingindo cerca de 1.000 novos assinantes por minuto, segundo a imprensa britânica. A rainha Isabel II já aprovou formalmente o pedido do primeiro-ministro. A aprovação era esperada pela maioria dos analistas, dado o papel neutral que a monarca sempre tem tido, baseando os seus pronunciamentos no critério do primeiro-ministro em funções. A suspensão do parlamento foi fortemente criticada pela oposição, que vê nela uma tentativa de limitar significativamente o tempo para os deputados apresentarem medidas para impedir uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo. Manifestações contra a suspensão do parlamento, qualificada pela generalidade dos opositores como um ataque à democracia, estão previstas para hoje em muitas cidades do Reino Unido, entre as quais Londres, Birmingham, Liverpool, Manchester, Cambridge, Edimburgo, Cardiff ou Bristol.