Psicólogos reunidos para debater 'A Psicologia e o Futuro da Educação'

Debater a psicologia e o futuro da educação é o principal objetivo da conferência que está a decorrer desde esta manhã no salão nobre da Assembleia Legislativa da Madeira, a cargo da delegação regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses....

Psicólogos reunidos para debater 'A Psicologia e o Futuro da Educação'
Debater a psicologia e o futuro da educação é o principal objetivo da conferência que está a decorrer desde esta manhã no salão nobre da Assembleia Legislativa da Madeira, a cargo da delegação regional da Madeira da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Com mais de 150 participantes, este encontro, que termina às 13h00 de amanhã, arrancou com uma sessão de abertura na qual intervieram várias entidades, entre as quais, Renato Carvalho, presidente da delegação regional da Ordem. Aos presentes, o responsável começou por fazer um enquadramento da situação destes profissionais no ensino, salientando que, face aos novos desafios da sociedade, o novo plano de ação vai para além do número de psicólogos que falta ou não falta nas escolas. “[O plano] passa pela valorização dos serviços e pela existência de um plano estratégico para a intervenção psicológica na área da educação, sobretudo ao nível dos serviços de carreira”, que “se aplique ao longo de toda a escolaridade”, onde sejam identificados “agentes, papéis e metodologias de ação e um plano que favoreça um debate sobre a melhor forma de distribuição dos profissionais no sistema educativo”, explicou o representante dos Psicólogos na Região. Outro aspeto focado por Renato Carvalho foi as condições de base para os profissionais de psicologia, destacando a importância da formação contínua dos mesmos. Lembrando que “a intervenção psicológica contribui para que milhares de crianças, jovens e adultos lidem de forma mais eficaz com os desafios do seu próprio desenvolvimento”, o psicólogo referiu ainda que a mesma [intervenção] “vai muito além de uma ação direta individual dos estudantes, sendo sobretudo útil no apoio ao funcionamento das escolas e do sistema educativo”. Já o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses começou a sua intervenção elogiando o trabalho de proximidade que tem sido desenvolvido aqui na Região pelos seus “colegas”, evidenciando o trabalho, também ele exemplar, da delegação regional da Madeira que “tem feito uma mobilização impressionante” e que “é exemplo para outras regiões do país por aquilo que consegue abarcar, não só de diferentes contextos, como também de diferentes contributos que a nível regional vai fazendo junto dos decisores, demonstrando uma capacidade de articulação muito próxima com a direção nacional”. Reconhecendo que a pressão sobre a educação é, hoje em dia, “tremenda”, Francisco Rodrigues disse que, “à educação pede-se a correção de todas as situações, pede-se que se previna tudo o que há para prevenir e, muitas vezes aquilo que é a continuidade do que deveria ser o papel da família é também pedido à escola e à educação”. Por esta razão, o responsável entende que os psicólogos deverão assumir um papel que “não cumpra pela realização remediativa da resposta a muitas emergências que as escolas têm hoje em dia que responder”, mas que “consiga fazer o caminho de prevenção”. O bastonário entende que, “mais do que o número de psicólogos em cada local é preciso olhar para outros indicadores, tais como os dos abandonos existentes, do sucesso educativo e os das áreas sociais envolventes”. Da parte do Governo Regional, Marco Gomes, diretor regional de Educação, reconheceu que o grande desafio que se coloca hoje à educação é o de esta “ser capaz de responder a tudo, sendo capaz de providenciar experiências de aprendizagem realmente efetivas e inclusivas, em que ninguém fique de fora”. Enaltecendo a importância do psicólogo no contexto educativo, o diretor regional disse não ter dúvidas que a psicologia continuará, no futuro, a ter um papel de relevo nas escolas, salientando que estas precisam trabalhar de forma coordenada os seus recursos porque a diversidade é cada vez maior. Embora a Região esteja dentro dos rácios definidos, Marco Gomes lembrou o reforço do número de psicólogos no sistema de ensino regional, referindo ser “fundamental para a qualidade da intervenção, a qualidade das condições que se dá aos psicólogos escolares”. Terminando as intervenções desta sessão de abertura, o presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, José Manuel Rodrigues, aproveitou a ocasião para abordar a questão do absentismo e abandono escolar cujas taxas na Madeira são altas, mas que têm vindo a diminuir, muito por conta da intervenção dos psicólogos nas escolas que são, sua opinião, uma espécie de “serviços de urgências sociais”, nas quais os psicólogos assumem um papel importante.