Rússia critica abordagens norte-americana e europeia ao multilateralismo

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, denunciou hoje de forma veemente as abordagens norte-americana e europeia ao multilateralismo que, sustentou, correm o risco de criar "fraturas" e “tensões” nas relações internacionais. Lavrov, que discursava numa videoconferência no Conselho de Segurança da ONU, numa sessão ministerial organizada pelo homólogo chinês, Wang Yi, sublinhou que desenvolver o multilateralismo “é um trabalho que deve ser feito numa base colegial”. “Nos últimos tempos, assistimos a tentativas de estabelecer uma ordem internacional [...] para impor a todos as novas regras elaboradas em órgãos e círculos não inclusivos”, criticou.  “É nesse contexto que o Governo dos Estados Unidos pretende organizar uma ‘Cimeira das Democracias’. Mas isso traz o risco de tornar as relações internacionais ainda mais tensas e de revelar falhas no mundo quando o que precisamos é de um objetivo unido e comum”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo. Washington ainda não avançou qualquer data ou pormenores sobre o formato da “Cimeira das Democracia”, uma ideia avançada pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. “É claro que são os Estados Unidos que vão estabelecer a lista dos países convidados para a cimeira”, afirmou o chefe da diplomacia russa, que falou após o homólogo norte-americano, Antony Blinken, que não se pronunciou sobre a futura cimeira. “A criação de uma Aliança para o Multilateralismo, por iniciativa da Alemanha e da França, pode parecer natural. Mas Berlim e Paris têm outras ideias, pois querem publicar documentos para que a União Europeia (UE) seja a pedra angular do sistema multilateral”, afirmou Lavrov, para quem esta é uma forma de os Estados Unidos e a Europa “imporem a exclusividade no desafio à igualdade entre os Estados”. A criação de “parcerias estreitas em questões já debatidas nas Nações Unidas ou em organismos especializados”, como o apelo ao respeito pelo direito humanitário - assinado por 43 Estados - ou o efetuado para apoiar a liberdade de expressão – rubricado por cerca de três dezenas de países -, “são a prova de uma certa unipolaridade no Ocidente", insistiu Lavrov. “Não vemos este mundo multilateral como uma forma de trabalhar em conjunto para a tomada de decisões coletivas, mas sim como uma forma de impor as suas regras aos outros”, acrescentou o ministro russo, cuja intervenção foi, no final, saudada com satisfação por Wang Yi.

Rússia critica abordagens norte-americana e europeia ao multilateralismo
O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, denunciou hoje de forma veemente as abordagens norte-americana e europeia ao multilateralismo que, sustentou, correm o risco de criar "fraturas" e “tensões” nas relações internacionais. Lavrov, que discursava numa videoconferência no Conselho de Segurança da ONU, numa sessão ministerial organizada pelo homólogo chinês, Wang Yi, sublinhou que desenvolver o multilateralismo “é um trabalho que deve ser feito numa base colegial”. “Nos últimos tempos, assistimos a tentativas de estabelecer uma ordem internacional [...] para impor a todos as novas regras elaboradas em órgãos e círculos não inclusivos”, criticou.  “É nesse contexto que o Governo dos Estados Unidos pretende organizar uma ‘Cimeira das Democracias’. Mas isso traz o risco de tornar as relações internacionais ainda mais tensas e de revelar falhas no mundo quando o que precisamos é de um objetivo unido e comum”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros russo. Washington ainda não avançou qualquer data ou pormenores sobre o formato da “Cimeira das Democracia”, uma ideia avançada pelo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. “É claro que são os Estados Unidos que vão estabelecer a lista dos países convidados para a cimeira”, afirmou o chefe da diplomacia russa, que falou após o homólogo norte-americano, Antony Blinken, que não se pronunciou sobre a futura cimeira. “A criação de uma Aliança para o Multilateralismo, por iniciativa da Alemanha e da França, pode parecer natural. Mas Berlim e Paris têm outras ideias, pois querem publicar documentos para que a União Europeia (UE) seja a pedra angular do sistema multilateral”, afirmou Lavrov, para quem esta é uma forma de os Estados Unidos e a Europa “imporem a exclusividade no desafio à igualdade entre os Estados”. A criação de “parcerias estreitas em questões já debatidas nas Nações Unidas ou em organismos especializados”, como o apelo ao respeito pelo direito humanitário - assinado por 43 Estados - ou o efetuado para apoiar a liberdade de expressão – rubricado por cerca de três dezenas de países -, “são a prova de uma certa unipolaridade no Ocidente", insistiu Lavrov. “Não vemos este mundo multilateral como uma forma de trabalhar em conjunto para a tomada de decisões coletivas, mas sim como uma forma de impor as suas regras aos outros”, acrescentou o ministro russo, cuja intervenção foi, no final, saudada com satisfação por Wang Yi.