Sara Barros Leitão no Baltazar Dias a 6 e 7 de dezembro

O espetáculo ‘Teoria das Três Idades’ estreou em 2019, no subpalco do Rivoli, passou pela Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II em janeiro deste ano, e termina a sua digressão no Baltazar Dias. Em comunicado, a organização ressalta “que...

Sara Barros Leitão no Baltazar Dias a 6 e 7 de dezembro
O espetáculo ‘Teoria das Três Idades’ estreou em 2019, no subpalco do Rivoli, passou pela Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II em janeiro deste ano, e termina a sua digressão no Baltazar Dias. Em comunicado, a organização ressalta “que este espetáculo marca a estreia de Sara Barros Leitão como encenadora, depois de um mergulho solitário no arquivo do Teatro Experimental do Porto”. “É a odisseia de uma jovem atriz à procura da beleza das pequenas histórias imperfeitas de uma companhia que aos 66 anos não recebe apoio do Estado”, acrescenta. Lê-se ainda que foram “caixas e caixas de cartão retiradas do lugar, cartas caligrafas e rasuradas, provenientes de uma época em que era necessário fintar a censura, sobre as quais um olhar livre e atentou pousou novamente, vagarosamente, com a jovem criadora a desacelerar o tempo em busca do tempo perdido, na procuro dos pequenos detalhes e do encanto das pequenas histórias que cosem a grande História”. “Não me interessou fazer um espetáculo espetacular, porque não é essa a pessoa que eu sou. Acho que se fosse totalmente feliz não podia ser artista. Eu também trabalho com a felicidade, mas é por sofrer que consigo reconhecer esse estado de felicidade”, explica a atriz de 29 anos. A mesma fonte ressalta que o “trabalho documental e simultaneamente autobiográfico apresenta relatos incontornáveis do problema intemporal da falta de verbas, narrações de infiltrações nos camarins e da devastação de um incêndio, lutas sindicais e as reivindicações para a profissionalização do setor, a emancipação das artistas de teatro, ordens de despejo, o depoimento de um sócio do Teatro indignado com a falta de pudor patente numa peça ou até uma tabela de ensaio, ao qual um ator faltou”. “Acabo por gostar da peça pelos defeitos que tem, porque apaixono-me por coisas defeituosas. Mas não é aquilo que eu sonhei, enquanto criadora. E este projeto também é sobre isso, sobre o facto de não termos de estar sempre à altura. É sobre histórias falhadas”, acrescenta Sara Barros Leitão. A peça é também sobre a importância de lembrar aquilo que devemos a quem chegou antes de nós. Mais informa que este “espetáculo é um manifesto a favor do teatro e da memória, de como eles devem ser defendidos e preservados, e mostra como se podem fixar histórias, algumas cómicas, outras tocantes, de forma respeitosa e bela”. “Sara Barros Leitão consegue dar-nos, em hora e meia, uma fotografia da história do Teatro Experimental do Porto e do muito que, ao longo dos anos, contribuiu para o teatro em Portugal”, conclui.