Tancos: Maioria dos partidos sem assento parlamentar é favorável a nova discussão na AR

A maioria dos 15 partidos sem representação parlamentar revelou na segunda-feira à noite que apoiaria a realização de uma reunião da Comissão Permanente para discutir o caso de Tancos na Assembleia da República, requerida pelo PSD. O início...

Tancos: Maioria dos partidos sem assento parlamentar é favorável a nova discussão na AR
A maioria dos 15 partidos sem representação parlamentar revelou na segunda-feira à noite que apoiaria a realização de uma reunião da Comissão Permanente para discutir o caso de Tancos na Assembleia da República, requerida pelo PSD. O início de um debate, na RTP, que reuniu os 13 líderes e duas cabeças de lista por Lisboa dos 15 partidos sem assento no hemiciclo, nove dessas forças políticas afirmaram que votariam favoravelmente a realização de uma reunião da Comissão Permanente do parlamento para discutir o processo de Tancos, no qual um dos 23 acusados pelo Ministério público é o ex-ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes (PS). Ao nono dia de campanha, os sociais-democratas requereram um debate sobre este tema em Comissão Permanente da Assembleia da República, pedido que será analisado em reunião da conferência de líderes na quarta-feira, às 11:30. PTP, Chega, PDR, Iniciativa Liberal, MAS, MPT, PCPT/MRPP, Aliança e R.I.R. consideram necessário discutir o assunto no parlamento, com o líder do PTP, Amândio Madaleno, a vincar a que “votava favoravelmente de modo a poder exigir ao primeiro-ministro uma responsabilidade política”. O dirigente do Chega, André Ventura, referiu que debater o caso é, “infelizmente, a única forma” de se saber o que aconteceu com o furto e reaparecimento de material militar nos paióis de Tancos, opinião partilhada pelo líder do MAS, Gil Garcia, que considera “o assalto suficientemente grave para que o Estado tenha de responder”. Opinião diferente têm o Livre, Nós, Cidadãos!, PURP, JPP, PPM e PNR. A cabeça de lista do Livre por Lisboa, Joacine Katar Moreira, explicou que “votaria negativamente” porque “ou há confiança nas nossas instituições ou não há”, remetendo o caso para as instâncias judiciais. Em consonância, uma das únicas ao longo deste debate que durou cerca de duas horas e meia, o líder do PNR, José Pinto Coelho, justificou o voto negativo por se tratar de “um assunto de tribunal”, tal como o dirigente do Nós, Cidadãos, Mendo Castro Henriques, que considerou que campanha eleitoral para as legislativas de 06 de outubro não é o “espaço próprio para tratar essa questão”. Contrapondo, o presidente da Aliança, Pedro Santana Lopes, disse que o “assunto é gravíssimo” e votaria favoravelmente “a partir do momento em que um partido pede” para debater o assunto no parlamento. Questionados ainda sobre se, na eventualidade de elegerem pelo um deputado, viabilizariam um governo socialista ou social-democrata, a maioria respondeu afirmativamente, variando, contudo, em relação à força política que apoiariam. O líder do PTP referiu que era “uma pergunta difícil”, mas como “o PS não tem dados bons resultados” viabilizaria “uma solução do PSD”. Santana Lopes disse que não conseguia “responder a essa pergunta”, mas foi perentório em dizer que “à esquerda não” viabilizaria qualquer governo. O dirigente do R.I.R., Vitorino Silva, salientou que o partido é “360 graus” e que o país “nunca vai ficar sem um governo”, mostrando disponibilidade para convergir com PS ou PSD, tal como o líder do PURP, Fernando Loureiro, desde que “esteja dentro daquilo” que são as causas do partido. Já a cabeça de lista do Livre por Lisboa explicitou que é “completamente impossível uma convergência com PSD”, tal como o dirigente do MAS, que não viabilizaria “nenhum governo de direita”. Por seu turno, o líder da Iniciativa Liberal, Carlos Guimarães Pinto, referiu que não faria acordos “com nenhum dos dois”. Num debate no qual os pontos de discórdia foram poucos, a maioria dos candidatos apontou o aumento do salário mínimo – os candidatos do Livre e do MAS, por exemplo, propõe ambos o aumento do salário mínimo para 900 euros - e o investimento na saúde como prioridades para o país. “Isto não é o Burundi”, afirmou Pedro Santana Lopes, quando comentava aquilo que considerou ser o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde durante o Governo socialista, apoiado na maioria parlamentar à esquerda, afirmação que foi subscrita pelo líder do PDR, Marinho e Pinto, e pelo líder do PURP. Também André Ventura, do Chega, criticou o estado do Serviço Nacional de Saúde. Entre os temas abordados, o combate às alterações climáticas foi um dos assuntos que causou desentendimentos entre os partidos. O líder do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, referiu que o partido monárquico português foi o primeiro “grande partido ecologista na Europa”. Na resposta, Joacine Katar Moreira (Livre), disse que é uma “ironia” que todos os partidos se “estão a manifestar” como defensores do ambiente, mas que se “não fossem os estudantes universitários a saírem à rua e a manifestarem-se” a “onda ambiental era muito baixinha”. Vitorino Silva (R.I.R.) também tentou entrar nesta discussão, mas foi impedido porque o debate se aproximava do fim. Já o líder do Nós, Cidadãos, optou por frisar questões como “a introdução do sistema de delação premiada”, a cabeça de lista do PCTP/MRPP por Lisboa, Maria Cidália Guerreiro, falou da necessidade de revogar “a lei das rendas e dos despejos”, e o líder do Chega, André Ventura, bem como os líderes do PTP e PURP condenaram a atribuição de subvenções a políticos.