“Turismo representa 167 milhões de euros de receitas para a Madeira”, Pedro Calado

O vice-presidente do Governo Regional admite duplicar ou até triplicar os valores a investir na promoção da Madeira Pedro Calado representou o Governo Regional na cerimónia de abertura da XIII Conferência Internacional do Turismo, que decorre...

“Turismo representa 167 milhões de euros de receitas para a Madeira”, Pedro Calado
O vice-presidente do Governo Regional admite duplicar ou até triplicar os valores a investir na promoção da Madeira Pedro Calado representou o Governo Regional na cerimónia de abertura da XIII Conferência Internacional do Turismo, que decorre ao longo do dia de hoje no auditório do Centro de Congressos da Madeira. Na sua intervenção, relevou o reforço do investimento que será feito na promoção da Madeira e recuperou todos os méritos e prémios que a Região já arrecadou, a nível internacional. Na ocasião, enfatizou que a decisiva importância do Turismo na economia regional: “O turismo, nomeadamente, o alojamento, hotelaria, restauração e similares, representa, hoje, para a Madeira, uma importante fatia de receitas cerca de 167 milhões de euros (entre impostos diretos – 137 milhões – e indiretos – 21 milhões) e é um dos mais importantes sectores para o mercado de trabalho, empregando, de forma direta, e apenas na hotelaria, mais de sete mil pessoas”. Confira na íntegra o discurso de Pedro Calado, vice-presidente do Governo Regional na abertura da XIII Conferência Internacional do Turismo: “Permitam-me que comece por felicitar o Senhor Bastonário da Ordem dos Economistas e o presidente da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas, pela realização de mais esta conferência anual de Turismo e que, este ano, se debruça sobre a temática dos “Mercados Emissores”. Em nome da Região, queria, neste momento, dizer a todos quantos tornaram possível a realização deste encontro o nosso: Muito Obrigado, pelo contributo que dão e que espero continuem a dar por muitos e bons anos. O desafio e o compromisso para uma reflexão sobre os “Mercados Emissores” não podiam ser mais oportunos. Trata-se, indiscutivelmente, de um dos principais focos, para uma intervenção e definição, de políticas mais assertivas para o sector do turismo. Um bom conhecimento dos mercados emissores é, uma garantia de maior eficiência e eficácia das estratégias de promoção que a Madeira e o Porto Santo têm vindo a implementar e a desenvolver ao longo do tempo, e que permitiram, que chegássemos até aqui, com a pujança e os níveis de desenvolvimento sustentável que temos hoje. São, de resto, esses níveis de qualidade e de desenvolvimento que nos têm permitido conquistar diversos galardões internacionais. É o caso dos “World Travel Awards”, que já distinguiu a Região por seis vezes como o “Melhor Destino Insular da Europa” (2013, 2014, 2016, 2017, 2018 e 2019), numa competição onde entram muitos outros destinos, altamente competitivos, como Chipre, Sardenha, Baleares, Canárias, Malta, entre outros. Ainda ao nível dos “World Travel Awards”, a Madeira já foi também distinguida, por quatro vezes, com o “Melhor Destino Insular do Mundo” (2015, 2016, 2017 e 2018). Do longo rol de distinções internacionais, que ajudam a dar visibilidade e notoriedade ao destino turístico, a Madeira foi também galardoada, em 2015, no âmbito do “TripAdvisor – Travelers’ Choice Awards”, a maior plataforma mundial de viagens e turismo na internet, como a “Sexta Melhor Ilha para Passar Férias”. Todas estas distinções se ficaram a dever aos excelentes empreendedores e hoteleiros regionais, à excelência dos nossos profissionais da hotelaria, dos diferentes trabalhadores, agentes económicos e turísticos. No fundo, aqueles que ao longo de todos estes anos têm servido a Região em termos turísticos e que nos ajudaram a elevar quantitativamente o destino Madeira. A todos eles, o nosso muito obrigado. O turismo, nomeadamente, o alojamento, hotelaria, restauração e similares, representa, hoje, para a Madeira, uma importante fatia de receitas cerca de 167 milhões de euros (entre impostos diretos – 137 milhões – e indiretos – 21 milhões) e é um dos mais importantes sectores para o mercado de trabalho, empregando, de forma direta, e apenas na hotelaria, mais de sete mil pessoas. Se, a estes mais de sete mil trabalhadores juntarmos aqueles que estão empregados noutras atividades e serviços associados ao Turismo, os números rondam os 20 mil, que corresponderá a cerca de 17% do total da população empregada na Região, tal como retrata a última Conta Satélite do Turismo. Entre muitas medidas de apoio no sector , dado pelo Governo Regional, está o programa Valorizar 2020, no âmbito do programa comunitário “Madeira 14-20”, que permitiu a aprovação de vários projetos, na área da hotelaria, que representam um investimento global próximo dos 69 milhões de euros. Ainda no âmbito do “Madeira 14-20”, há a acrescentar outros apoios, através do Sistema de Incentivos ao Funcionamento, cujo montante total de ajudas a empresas do sector hoteleiro ascendeu a 2,6 milhões de euros. Mas, para o sucesso da estratégia que tem sido traçada pelo Governo Regional, tem sido também determinante o espírito empreendedor dos nossos empresários e, em particular, aqueles que têm apostado e que continuam a apostar no sector do Turismo na Madeira e no Porto Santo. Nesta ocasião, é também nossa obrigação, enaltecer a coragem dos empresários madeirenses e porto-santenses, pela sua determinação em investir na sua terra, desenvolvendo projetos hoteleiros que têm gerado e que vão continuar a gerar emprego, qualidade de vida e diversificação da oferta turística e, acima de tudo, a elevar o nível de excelência do nosso destino. A eles, também, o nosso muito obrigado! Foram estas duas componentes – por um lado os apoios e incentivos do Governo Regional ao sector hoteleiro e, por outro, o investimento e a coragem dos empresários madeirenses e porto-santenses – que permitiram que o sector do Turismo tivesse registado o desenvolvimento que temos assistido e que permitiu aumentos salariais na ordem dos 4,4% nos últimos quatro anos. Hoje, como resultado de uma conjuntura desfavorável, nomeadamente, a falência de importantes operadores e companhias aéreas, a Região tem registado uma descida no número de dormidas, o que nos leva a ter de encontrar alternativas e soluções que nos permitam manter o ritmo de crescimento dos últimos anos. Isso passa, entre outras medidas, por contactos com operadores, como aqueles que ocorreram esta semana, no Reino Unido, no decurso do “World Travel Market”. Negociações entre o Governo Regional e operadores internacionais que abrem novas oportunidades, no sentido de reforçar as ligações aéreas com a Região. Vamos reforçar a nossa aposta na atração de eventos para a Região, não apenas de natureza profissional e científica, atraindo grandes empresas nacionais e internacionais, como também cimeiras, congressos e outros tipos de fóruns. Temos também de reforçar a aposta em eventos de natureza desportiva, aproveitando as nossas condições excecionais, quer no que se refere ao parque hoteleiro, quer em matérias de infraestruturas desportivas, quer ainda a própria natureza e clima, em matéria de desportos ao ar livre. E, não menos importante, pela reconhecida qualidade técnica dos nossos desportistas, técnicos e dirigentes, hoje reconhecidos a nível mundial. A par de todas estas medidas, é também de extrema importância encontrar com os “players” do sector, nomeadamente, com os operadores turísticos e com os hoteleiros, novas soluções de financiamento para o reforço de verbas para a Associação de Promoção da Madeira. Desde que foi criada a Associação de Promoção da Madeira, em 2004, o Governo Regional tem vindo a reforçar o seu apoio a esta entidade, criada para promover a Região. Inicialmente, o seu contributo era de 75%, ou seja, por cada euro investido pela iniciativa privada, o Governo Regional contribuía com três euros. Neste momento, a proporção é de 10 euros do Orçamento da Região para cada euro investido pelos privados, ou seja, já ultrapassa os 90%. Tem de ser feito um Reforço Realista de verbas face à atual conjuntura económica. Um reforço realista face às necessidades dos demais sectores de atividade, não comprometendo a sustentabilidade financeira de todas as áreas de governação, mas reconhecendo a importância vital que o sector do Turismo tem para a Região. Mais do que anunciar que vamos duplicar, ou até triplicar o valor dos apoios à promoção – o mais importante é estudar o atual modelo de financiamento, encontrando novas soluções de financiamento e de aplicabilidade dessas verbas, com consequências muito objetivas, claras e determinantes para o sector. Medidas rápidas, eficientes e muito objetivas nos resultados a atingir. No fundo, pretende-se avaliar, em conjunto com todos os “players” do sector, o quadro de financiamento existente, e perspetivar cenários para novas soluções, com mais qualidade e pragmatismo. Hoje, mais do que nunca, temos de ser assertivos nas opções e nas estratégias que definimos e implementamos. Depois do percurso que fizemos e tudo o que construímos, ao longo dos anos, não podemos hesitar nem ter dúvidas. A conjuntura internacional e a forte concorrência não se coadunam com amadorismos, ensaios ou qualquer outro tipo de eufemismos, de fantasiar os desafios. O futuro está aí. É já hoje. E temos de ter a determinação de saber para onde ir e como ir. É uma questão de interesse regional, também com implicações nacionais, com grandes repercussões financeiras. Está em jogo não apenas o desenvolvimento deste sector, mas o futuro de muitos madeirenses e porto-santenses, que dependem direta e indiretamente desta atividade. Por isso, é importante este desafio e compromisso para uma reflexão sobre os “Mercados Emissores”, porque ao fazê-la: estamos, não apenas a refletir, mas a apontar soluções sérias e, de uma forma responsável, decidir o caminho que queremos seguir. Não podemos perder tempo com aquilo que é acessório e com demagogia política. Tem sido a nossa determinação, o nosso arrojo, que levaram a que a Madeira fosse pioneira, a nível nacional, em matéria de turismo. Temos de respeitar o passado e todo o trabalho desenvolvido, mas olhando para o futuro com muita responsabilidade”.