Venezuela: Maduro espera mediação da Noruega em diálogo com setor minoritário da posição

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse hoje esperar que a Noruega pondere ser mediador nas negociações que o chefe de Estado mantém com um setor minoritário da oposição. "Muitas coisas mudaram. Se o Governo da Noruega agir para reiniciar...

Venezuela: Maduro espera mediação da Noruega em diálogo com setor minoritário da posição
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse hoje esperar que a Noruega pondere ser mediador nas negociações que o chefe de Estado mantém com um setor minoritário da oposição. "Muitas coisas mudaram. Se o Governo da Noruega agir para reiniciar a exploração (de um diálogo) com outros setores da oposição, estamos prontos para recomeçar", disse Nicolás Maduro. O chefe de Estado falava numa conferência de imprensa em Caracas, durante a qual disse ser "o presidente do diálogo político" e ser capaz de reunir-se seja com quem for, "mesmo com o senhor diabo ou com os seus diabinhos, aqui na Venezuela". "Estamos prontos para responder a qualquer convocatória que faça a Noruega", frisou. Referindo-se ao setor minoritário da oposição com o qual assinou, este mês, um acordo, Maduro explicou que há “uma mesa de diálogo nacional, com amplos setores da oposição, onde participam três ex-candidatos presidenciais da oposição, mais de sete partidos de oposição, que representam 40% dos votos da oposição, segundo sondagens". Em 16 de setembro último, o Governo e quatro pequenos partidos opositores (Avançada Progressista, Soluções para a Venezuela, Movimento Ao Socialismo e Cambiemos) chegaram a um acordo para instalar uma nova mesa de diálogo. O acordo foi assinado em Caracas, na Casa Amarilla (Ministério de Relações Exteriores), e prevê que os deputados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) regressem à Assembleia Nacional (parlamento, onde a oposição detém a maioria), acusada de desacato pelo regime. O documento contempla, também, a criação de um novo Conselho Nacional Eleitoral, que sejam dadas garantias aos processos eleitorais e que alguns presos políticos beneficiem com medidas alternativas à prisão. Por outro lado, prevê a defesa dos "direitos legítimos" da Venezuela sobre o território Esequibo, em disputa com a vizinha Guiana, e que sejam condenadas as sanções económicas contra o país. O acordo estipula ainda que a Venezuela ative um programa de intercâmbio por alimentos e medicamentos, em concordância com os mecanismos técnicos existentes nas Nações Unidas. No mesmo dia, o líder político opositor Juan Guaidó questionou a decisão de vários pequenos partidos opositores de criarem uma plataforma de diálogo com o regime, considerando que intensificará a crise no país, além de repetir manobras governamentais do passado. "O regime já tentou antes este tipo de manobras, que levarão a uma maior crise, a um isolamento internacional. Não há confiança no regime", declarou Juan Guaidó. Um dia depois de assinar o acordo com este setor opositor, o Governo venezuelano libertou o deputado opositor e vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, após 132 dias de prisão. A libertação foi anunciada através de um comunicado do procurador-geral designado pela Assembleia Constituinte (maioritariamente com deputados do regime), Tareck William Saab, e ocorre na sequência dos "acordos parciais alcançados" pelo Governo "e setores da oposição". Detido em maio por acusações de "traição à pátria", Edgar Zambrano lamentou, em declarações aos jornalistas, à saída da prisão militar de Caracas, a existência de presos políticos na Venezuela.